A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) lançou uma microcampanha com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os agentes químicos cancerígenos no ambiente de trabalho.

Milhões de trabalhadores na União Europeia estão expostos a agentes cancerígenos como amianto, sílica, metais pesados e solventes, especialmente em setores como construção, indústria química, automóvel, têxtil e indústria da madeira. Estes agentes estão entre as principais causas do cancro relacionado ao trabalho tornando este, num dos maiores desafios de saúde ocupacional na Europa.

Cancro e fatores de risco

Estudos apontam que cerca de 120.000 pessoas desenvolvem cancro anualmente devido à exposição ocupacional a substâncias cancerígenas, e mais de 100.000 morrem em consequência dessa exposição. A Comissão Europeia, ciente dessa realidade, reviu a Diretiva sobre proteção contra agentes cancerígenos, implementando limites mais rigorosos para substâncias químicas no trabalho.

O cancro relacionado ao trabalho não é causado apenas por um fator isolado. É resultado de interações complexas entre agentes cancerígenos, fatores psicossociais, ambientais e comportamentos pessoais como o tabagismo e o consumo de álcool. Além disso, novas evidências sugerem que agentes como desreguladores endócrinos e nanomateriais também podem estar envolvidos.

O papel do empregador

É fundamental que o empregador identifique os agentes cancerígenos presentes na sua empresa. O primeiro passo para prevenir o cancro relacionado ao trabalho é a substituição dos agentes perigosos por alternativas mais seguras. Quando isso não for possível, é necessário minimizar a exposição dos trabalhadores.

Medidas de prevenção:

  • Procurar substitutos mais seguros ou menos perigosos;
  • Se a substituição não for viável, implementar sistemas fechados de contenção;
  • Realizar formações e informações para os trabalhadores sobre o risco de exposição;
  • Fornecer equipamentos de proteção individual adequados e implementar medidas de higiene rigorosas, como por exemplo evitar o consumo de alimentos e bebidas nas áreas de risco;
  • Manter a lista de trabalhadores expostos bem como reultados de avaliações de risco e de vigilância de saúde dos trabalhadores durante 40 anos após o término da exposição.

O papel da saúde ocupacional

A saúde ocupacional tem um papel fundamental na prevenção do cancro nos locais de trabalho. As principais ações passam por:

  • Identificação dos agentes cancerígenos;
  • Realização de uma avaliação de riscos;
  • Implementação de medidas de controle e prevenção adequadas como por exemplo utilização de EPI, sistemas de ventilação, entre outros;
  • Formação e sensibilização aos trabalhadores esclarecendo-os sobre os riscos existentes e medidas preventivas a adotar;
  • Vigilância da saúde incluindo exames periódicos e exames complementares específicos que permitam detetar precocemente qualquer alteração no estado de saúde.

A prevenção e o conhecimento são as melhores formas de proteger seus colaboradores. A ACT reforça que um ambiente de trabalho mais seguro é possível com ações simples, mas eficazes.

Saber mais:
portal.act.gov.pt

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