A 12 de agosto de 2026, Portugal será palco de um eclipse solar parcial em parte do território. Para além do interesse científico, este fenómeno coloca desafios importantes em matéria de Segurança e Saúde no Trabalho, exigindo uma preparação adequada por parte das empresas.

A observação direta do Sol sem proteção adequada pode provocar lesões irreversíveis na retina. Por isso, a utilização de óculos específicos para observação de eclipses, conformes com a norma NP EN ISO 12312-2:2015 e em perfeito estado de conservação, é indispensável sempre que se observe o fenómeno. Os óculos de sol comuns não oferecem qualquer proteção contra este risco.

A observação indirecta através de aparelhos ópticos, como seja: binóculos, telemóveis, câmaras de filmar ou fotografar sem que estes estejam equipados com filtros próprios também pode causar lesões temporárias ou permanentes na retina.

Nunca utilizar para observar o eclipse:

  • Vidros fumados;
  • Óculos de sol;
  • Óculos de natação;
  • Óculos 3D de cinema;
  • Radiografias;
  • CD;
  • Máscaras de soldar.

No contexto laboral, a prevenção deve ir além da proteção ocular. Durante o eclipse podem ocorrer distrações, encandeamento, aumento do tráfego rodoviário e interrupções inesperadas da atividade, fatores que elevam o risco de acidente rodoviário que segundo estatísticas americanas podem atingir um aumento de 30% da mortalidade.

Este aumento de risco de acidente manifesta-se especialmente em tarefas críticas como:

  • Condução de veículos motorizados;
  • Trabalho em altura;
  • Operação de máquinas;
  • Movimentação de cargas com gruas ou guindastes.

As empresas devem planear antecipadamente o evento:

  • Informar os trabalhadores;
  • Organizar locais seguros para eventual observação;
  • Evitar que esta ocorra durante a condução ou execução de tarefas perigosas;
  • Quando necessário, reprogramar atividades de maior risco.

A gestão das deslocações e das pausas é igualmente uma medida preventiva importante.

Caso, após a observação do eclipse, surjam sintomas como visão desfocada, aparecimento de uma mancha central, deformação das imagens, alterações na perceção das cores ou sensibilidade excessiva à luz, deve ser procurada avaliação oftalmológica com a maior brevidade. A ausência de dor não exclui a existência de lesão ocular.

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